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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Orkut e Facebook iniciam duelo pela sobrevivência


Há poucos dias, o instituto Ibope Nielsen Online divulgou estudo que revelou que o número de pessoas que navegam pelas páginas do Facebook no Brasil já supera o do Orkut. Usando método diferente, a Comscore, que também realiza a medição na internet, não ratificou a ultrapassagem, mas confirmou a tendência: em julho, a vantagem do Orkut sobre o rival caiu 20%. É um momento histórico nos breves 7 anos de vida das redes sociais no Brasil, um território desbravado pelo serviço do Google.
O Facebook subiu como um foguete no mercado brasileiro, um comportamento sem precedentes na história do serviço. Em abril de 2009, os acessos ao endereço eram tão raros que o Ibope não conseguia medi-los. Dois anos e quatro meses depois, o site alcançou a marca de 30,9 milhões de visitantes únicos, registrada em agosto pelo Ibope. O Orkut, que agora tem 29 milhões, demorou seis anos e dez meses para chegar ao mesmo patamar.
A briga no segmento de redes tem beneficiado o usuário, favorecido com melhorias e mais atrações nos serviços. Mas o embate traz consigo uma questão sobre o futuro: haverá espaço no mercado brasileiro para dois serviços que, embora não idênticos – sim, eles mantêm diferenças marcantes –, guardam semelhanças?
"A tendência é que um dos sites se torne dominante, com o outro passando a atender um nicho", afirma Marcelo Coutinho, professor da Fundação Getúlio Vargas e pesquisador do mercado digital. É um fato. No mundo, são poucas as nações que comportam duas redes sociais de grande peso por longo período. O exemplo clássico vem da mãe das redes sociais, o mercado americano. Lá, a ascensão do Facebook em meados da década passada fez ao menos uma vítima: o MySpace, que reinava no segmento até então.
Serviços locais
As exceções a essa regra são raras. Em todas, quem desafia a supremacia planetária do Facebook são serviço locais, que, surgidos na primavera da internet, acabaram ganhando apreço dos usuários. Na Rússia, Vkontakte e Odnoklassniki ainda deixam Facebook e Twitter para trás. Na Espanha, o Facebook ultrapassou recentemente o Tuenti. No Japão, o Twitter lidera, seguido pelo Mixi e, então, pelo Facebook.
Por ora, a briga brasileira permanece aberta. O primeiro indício disso é o uso concomitante das duas redes por grande parte dos usuários. Segundo a Comscore, 87% das pessoas que visitaram o Facebook também foram ao Orkut em julho. O segundo sinal é que, nos bastidores, as duas empresas lutam vivamente pela supremacia.
O Facebook vem adotando uma estratégia agressiva dentro e fora da rede. Em fevereiro, tomou do Google seu principal executivo no país, Alexandre Hohagen, para comandar o 15º escritório da empresa no mundo. Nos últimos 60 dias, contratou quatro ex-funcionários do rival para fortalecer o QG brasileiro, instalado em São Paulo. Também lançou mecanismos para atrair usuários do Orkut.
O Orkut, por sua vez, assumiu o papel inédito de produtor de conteúdo, o que, nas redes, cabe tradicionalmente aos usuários. Exemplo disso é a comunidade Orkut ao Vivo, que reúne mais de 6 milhões de membros ao redor de entrevistas com artistas nacionais. O foco é explícito: 60% dos visitantes do site cursam o ensimo fundamental ou médio. São jovens, portanto.
A briga pela audiência, é evidente, é a luta pela sobrevivência. É também a luta pela publicidade. Essa é a principal fonte de receita dos dois serviços. A exemplo de canais de TV, jornais e revistas, as redes sociais usam o número de usuários e visitantes para atrair anúncios e, assim, rentabilizar o negócio. Até pouco tempo, o Orkut reinava praticamente sozinho no segmento. Agora, tem um competidor à altura – superior, na visão de alguns.
O Facebook acumula mais informações sobre os usuários: além de gênero, idade e interesse, comum ao Orkut, ele analisa localidade, grau de instrução e local de trabalho. Isso permite aos anunciantes dirigir sua mensagem ao público-alvo. "A rede de Mark Zuckerberg possibilita uma segmentação maior de seu público e, consequentemente, campanhas mais eficientes", diz Abel Reis, presidente da AgênciaClick Isobar.
Google
É impossível esquecer o terceiro elemento que deve fazer parte dessa disputa: o Google , rede social com que o gigante quer ganhar o mundo – o Orkut, vale lembrar, só não é uma jabuticaba virtual porque foi criado por um turco e sobrevive também na Índia, além do Brasil. Para atores do mercado como Reis, é certo que o velho será substituído pelo novo. "Em um prazo de dois anos ou pouco mais, o Google poderá ser a principal atração do Google no país", diz.
A empresa descarta a hipótese de substituição: "Orkut e Google são dois produtos sociais dentro da mesma empresa, mas com objetivos diferentes", diz James Withaker, diretor mundial de engenharia do Google. "Acompanhamos os dois com a mesma atenção." Resta esperar para ver se usuários e mercado verão o assunto da mesma forma.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Novo microcrédito vai ter juro mais baixo


Depois de lançar mudanças no Supersimples para estimular a formalização e ajudar as micro e pequenas empresas a enfrentarem um cenário de crise mundial, o governo federal resolveu repaginar o programa de microcrédito produtivo e lançar uma nova versão, com custos mais baixos, na próxima semana.
A ideia é reduzir a taxa média de juros - atualmente de 4% ao mês ou o equivalente a 70% ao ano - dessa modalidade de crédito, nem que para isso o Tesouro Nacional tenha de subsidiar parte dos custos. Os detalhes, entretanto, ainda estão sendo discutidos pela equipe econômica.
Para o governo, o juro médio cobrado pelos bancos nas operações de microcrédito produtivo ainda é elevado. A avaliação de técnicos é de que é possível oferecer financiamento mais barato, como é o caso do Crediamigo, programa de microcrédito do Banco do Nordeste que tem taxa média de juro de 1,2% ao mês.
Os alvos do governo com uma política específica de microcrédito são os microempreendedores individuais (MEI) e os beneficiários do programa Bolsa-Família. O Crediamigo está sendo utilizado como base para o novo modelo que o governo federal está preparando.
O desafio da equipe econômica, no entanto, é fazer com que ocorra uma migração das operações de crédito de baixo valor, voltadas para o consumo, para o setor produtivo, que ajuda na criação de novos postos de trabalho. Uma saída para isso pode ser a definição de um perfil de tomador de crédito para a liberação dos recursos que os bancos têm obrigação de investir em microcrédito.
Obrigação
Em junho de 2003, para estimular o microcrédito no País, o governo estabeleceu regra que obriga os bancos a aplicarem até 2% dos depósitos à vista em operações de pequeno valor. Em junho deste ano, segundo dados do Banco Central (BC), os bancos deveriam ter aplicado R$ 3,14 bilhões no microcrédito, mas emprestaram R$ 2,5 bilhões. O restante ficou depositado no BC, sem remuneração.
As instituições privadas não se encantaram com o novo negócio, que ficou concentrado nas mãos dos bancos públicos como Banco do Nordeste (BNB), Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, porque consideraram que esse tipo de operação não é lucrativa.
De acordo com o diretor técnico do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Carlos Alberto dos Santos, os microempreendedores individuais serão um dos principais beneficiários pela medida. São cerca de 1,4 milhão de negócios e aproximadamente 3 mil formalizações por dia.
"É um mercado que tem crescido bastante com o estímulo à formalização das empresas", afirmou Santos. Atualmente, 5,3 milhões de empresas fazem parte do Simples Nacional (ou Supersimples). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.